13 Oct 2015

SOLARES

Texto de Auana Diniz sobre a produção artística de Elisa Matos, em julho de 2015

15 Apr 2016

relato autobiográfico

Ao chegar a São Paulo, em 2012, retomei minha vivência como artista. No princípio não foi uma escolha consciente. Afinal, eu vinha para a megalópole a trabalho, com o foco na produção cultural, iniciando nesta cidade no Educativo da 30ª Bienal de São Paulo. Este entendimento de mim mesma como artista não estava muito claro, embora já tenha sido a mim concedido esse título pela Universidade de Brasília em 2010, culminando no trabalho de conclusão de curso "9’40”. Em São Paulo essa visão foi reforçada. Bem aos poucos, quase imperceptivelmente, recomecei a produzir. Primeiro, me senti na obrigação de executar “isto é arte / aqui tem arte”, uma obra pensada por anos a fio que questiona a própria denominação da obra de arte. Foi neste período também que iniciei a pesquisa “SOLARES”, com a apropriação dos painéis da loja de ferramentas Casa Thomaz. Apenas quatro anos depois, em 2016, entendi que as minhas fotografias pela cidade contavam sobre minha percepção sobre o mundo. Nasciam assim as séries fotográficas “apego e abandono”, “clausuras e sossegos”, “é tudo parafuso”, “fixa” e “intersecção”.

Estas séries, compostas por imagens captadas com o uso de um aparelho celular, são, em sua maioria, feitas na cidade de São Paulo. O enquadramento utilizado quase não permite o uso da perspectiva. Assim, o motivo fotográfico é captado frontalmente. O interesse é pela geometria, mas também pela desconstrução dela. Existe um grande desejo em compreender a perfeição nas irregularidades humanas, a partir da máxima: “somos todos iguais, mas cada ser humano é diferente”. Isto é aplicado à cidade, com muros que faltam reboco, pisos, portas, portões, janelas, árvores...

Paralelamente, eu refletia sobre a importância do horizonte com a maior amplitude possível devido à discrepante relação com a visualidade entre Brasília-DF e São Paulo-SP. (Em 2012, minha porção residencial de céu foi reduzida a uma vista retangular, que poderia ser vista apenas com os olhos virados verticalmente para o céu). Logo, foi durante estes quatro anos também que me autodenominei pesquisadora de horizontes.

O meu ir e vir entre as duas cidades também resultou na série “passagem”, composta por 103 imagens noturnas no aeroporto de Congonhas. Este apanhado fotográfico, finito, explorou ao máximo o efeito Bokeh[1] durante a decolagem num vôo comercial até Brasília.

 

 

 

[1] Termo da área da fotografia que se refere a imagens fora de foco ou distorcidas. É bastante comum que o efeito bokeh crie diversos círculos nos pontos de maior luz devido à abertura da lente e velocidade do obturador.

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